O sedentarismo custa caro ao Brasil. Só em internações pelo SUS (Sistema Único de Saúde, a falta de atividade física gera um gasto estimado entre R$ 290 milhões e R$ 300 milhões por ano.
Os dados são confirmados pelos pesquisadores da Universidade Federal Fluminense. Mas um hábito simples, acessível e praticado por milhões de brasileiros pode mudar esse cenário: a corrida de rua.
Com evidências científicas sobre a prevenção de doenças crônicas, o esporte aparece cada vez mais no radar de especialistas em saúde pública como uma ferramenta estratégica para aliviar o sistema de saúde e melhorar a qualidade de vida da população.

Para o Dr. Thiago Boscher, médico de família, a prática regular da modalidade está diretamente associada à prevenção das condições que mais sobrecarregam o SUS.
“A corrida regular está bem associada à prevenção de várias doenças crônicas, com evidência mais forte para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, com redução importante de risco e mortalidade, hipertensão arterial, ajudando a controlar a pressão, e diabetes tipo 2, por melhorar a sensibilidade à insulina”, afirma.
O médico acrescenta que os benefícios vão além: “Também contribui para melhorar o colesterol, reduzir a obesidade e a síndrome metabólica, e há evidência moderada de proteção contra alguns cânceres, principalmente de cólon e mama, e possível efeito benéfico sobre o risco de demência”.
O impacto econômico já foi quantificado por pesquisadores brasileiros. De acordo com o Dr. Thiago, estudos nacionais mostram o tamanho do problema. “Os autores estimaram que o sedentarismo é responsável por cerca de R$ 290 a R$ 300 milhões por ano em gastos do Sistema Único de Saúde apenas com internações por doenças associadas, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares”, diz.
E o número pode ser ainda maior: “Análises com base em dados brasileiros indicam que a redução da falta de atividade poderia gerar uma economia ainda maior, potencialmente superior a R$ 1 bilhão por ano, quando se consideram também os custos com medicamentos e tratamento ambulatorial”.
Para o médico, o caminho passa por uma combinação de urbanismo e saúde preventiva, políticas públicas podem incentivar a corrida principalmente ao tornar a prática mais acessível e segura. “Isso envolve investir em espaços urbanos adequados, como parques, ciclovias e calçadas bem iluminadas, além de integrar a atividade física às ações da atenção básica, com incentivo e orientação dentro do Sistema Único de Saúde”, explica. “Campanhas educativas e estímulo desde a escola também ajudam a criar o hábito”.
O Brasil, no entanto, ainda está atrás de outros países nessa agenda. O Dr. Thiago avalia que, apesar de existirem iniciativas relevantes, elas ainda não têm o alcance necessário. “Apesar de contar com iniciativas relevantes dentro do Sistema Único de Saúde, como o programa Academia da Saúde, essas ações ainda têm alcance limitado e nem sempre estão bem integradas ao planejamento das cidades”, aponta.
O contraste com outras nações é evidente: “Países como Países Baixos e Dinamarca investem há décadas em infraestrutura urbana que favorece a atividade física no dia a dia, enquanto Reino Unido e Canadá adotam estratégias nacionais mais estruturadas, inclusive com incentivo à prescrição de exercícios na prática clínica”.
Para o especialista, o diagnóstico é claro: “Embora haja avanços, o país ainda enfrenta desafios para ampliar a escala, a integração e a prioridade dessas políticas”, ressalta.
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Fonte de informação: www.webrun.com.br
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